Alemberg Quindins – Entrevista Medalha da Abolição

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Pai de dois filhos, 52 anos, Francisco Alemberg de Souza Lima, tem como grande realização a criação da Fundação Casa Grande, uma escola de referência em educação em Nova Olinda que transforma crianças e jovens em gestores culturais protagonistas de suas histórias. É músico, pesquisador e produtor cultural. Nasceu e mora em Crato (CE).

1 -Sobre a Medalha da Abolição, qual é o seu sentimento ao ser agraciado com esta comenda?
R – Sinto uma alegria e uma gratidão por esse reconhecimento.
Uma alegria, porquê levo até ela o sorriso das crianças do sertão brasileiro.
Uma gratidão porquê recebo dela o incentivo de que devamos continuar construindo brasileiros a partir de sua infância.

2 – Quem era o Alemberg pré-Casa Grande? De onde veio a inspiração para constituir a Fundação Casa Grande?
R – Faço isso desde minha infância.
Quando criança tinha uma bandinha de lata, uma editora de revista em quadrinhos, cinema de sombras e produzia revistas desportivas aonde era o repórter dos campinhos de várzea.
Em 1983 encontrei uma menina que era igual a mim (Rosiane Limaverde) e resolvemos nos unir para fazermos juntos. Daí surgiu a Fundação Casa Grande para reunir meninos e meninas que pensam igual a gente.

3 – Você inspirou o Guel Arraes na composição do Xicó, em “O Auto da Compadecida”. Como isso se deu?
R – Quem me apresentou Guel foi sua tia e minha amiga Violeta Arraes. Guel estava procurando local para set de filmagem e construindo os personagens que os atores iriam fazer.
A forma D’eu contar minhas histórias e a risada, definiram o personagem Xicó…eles diziam que minha risada parecia a relinchada de um jumento (kkk) Mas quando eu era menino, lá no sertão goiano, aonde me criei, meu apelido era Jumento do Ceará! Rsrsrs

4 – Você é um entusiasta da arte-educação, quais os benefícios dessa prática?
R – Sim, a cultura deve ser a fonte básica da formação educacional… essa é a vocação brasileira, a qualidade do conteúdo deve ser o foco e a infância a meta.

5 – O Cariri é uma região que respira tradição e cultura, que acaba contribuindo para a consolidação de um projeto como a Fundação Casa Grande. Uma iniciativa como esta teria sucesso em outras regiões?
R – O Cariri é um território que foi geopoliticamente divido por quatro estados: Ceará, Pernambuco, Paraíba e Piauí.
Nós kariri somos um povo que cultivamos o imaginário se expressando de forma cultural.
Qualquer lugar que reconhecer em seu relevo as linhas de sua história, desenhará a forma original e autentica de seus fazeres.

6 – Você é músico, historiador, escritor, produtor cultural, pesquisador e tem um trabalho pedagógico admirável, como você se define?
R – Eu sonho e conto lendas ..só isso !

7 – Você se considera uma pessoa realizada?
R – Minha preocupação é em realizar pessoas!

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Cerimônia de Homenagens à Rosiane Limaverde será realizada no Memorial do Homem Kariri

Será realizada nesta quarta-feira, 22, às 16 horas, em Nova Olinda, o depósito das cinzas da arqueóloga Rosiane Limaverde, Doutora em Arqueologia pela Universidade de Coimbra (Portugal) e presidente do Conselho Científico da Fundação Casa Grande, instituição idealizada em conjunto com o seu companheiro Alemberg Quindins. A cerimônia acontecerá na sala do Coração de Jesus, do Memorial do Homem Kariri.

Na oportunidade, serão realizadas homenagens à Rosiane Limaverde, pela relevância dos estudos relacionados a pesquisa em arqueologia na Chapada do Araripe, no Nordeste e o legado deixado nesse campo da ciência, que resultam na criação do Instituto de Arqueologia do Cariri (IAC), em parceria com a Universidade Regional do Cariri (URCA), Geopark Araripe, Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Universidade de Coimbra.

A Universidade de Coimbra, pelo ineditismo do método da Arqueologia Social Inclusiva, aplicado pela pesquisadora e, por considerar um legado humanitário neste campo do conhecimento institui a Comenda Rosiane Limaverde.

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20 de Março de 2017 – Rosiane Limaverde (Nota Oficial)

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Nós que pertencemos a Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, comunicamos que nossa mentora, amiga e Presidente Ciêntifica, Rosiane Limaverde, faleceu nesta manhã (20 de Março). Deixa-nos de legado o amor, a dedicação e o respeito a pesquisa, a história, a memória , arte e cultura, acervo incontesto para a formação de todas as crianças e jovens da região do Cariri e do Brasil.
Hoje, tranquilos e serenos, característica adquirida da sua pesonalidade, prestamos nossas homenagens com a certeza que ela continua viva e encantada em nossa memória para continuar a grande missão da nossa Casa Azul,  Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri.