Agnelo Queiroz Ministra Aula na Especialização em Arqueologia Social Inclusiva Deste Mês!

 

 

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O professor Agnelo Queirós ministrará a disciplina de Métodos e Técnicas da Pesquisa Arqueológica II, no curso de Pós-Graduação Latu Sensu em Arqueologia Social Inclusiva, nos dias 23, 24 e 25 de Fevereiro de 2018. Mestre em Arqueologia pela Universidade Federal do Piauí – UFPI e graduado em Ciências Sociais (antropologia e sociologia) pela Universidade Estadual do Ceará – UECE. Investigador das áreas de cultura, arqueologia e patrimônio. Realiza pesquisa com arte rupestre na região do Vale do Jaguaribe, Ceará. É membro do Conselho Científico da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, pesquisador do Instituto de Arqueologia do Cariri Dra. Rosiane Limaverde, consultor gerente de programas e projetos da A&R Arqueologia, Consultoria e Produção Cultural, e membro da coordenação da Especialização em Arqueologia Social Inclusiva. Mais informações em: http://lattes.cnpq.br/1391652410817080

Sobre a Especialização:
O curso de Pós Graduação em Arqueologia Social Inclusiva tem como realizadores a Universidade Regional do Cariri, a Fundação Casa Grande e o Instituto de Arqueologia do Cariri e conta com a parceria da Universidade de Coimbra, Universidade Federal do Piauí e Geopark Araripe e tem a duração de 20 meses com aulas presenciais na Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, em Nova Olinda / CE.
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Grupos de tradição popular alegram tarde de Nova Olinda

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Reunindo 13 grupos, variando entre bandas cabaçais, reisado e bacamarteiros, o cortejo dos grupos de tradição popular acontece na tarde desta terça-feira, 19, saindo da sede da Fundação para as ruas de Nova Olinda, fazendo parte da programação de comemoração dos 25 anos da Fundação Casa Grande Memorial do Homem Kariri.

Adriano Pereira da Silva ou, como é conhecido, Adriano Aniceto, faz parte da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, que compõe o cortejo. Com seus duzentos anos de história, a banda já conta com a sua quarta geração de músicos, que trabalham diretamente para a manutenção do folclore da região do Cariri.

“Esse grupo começou com meu bisavó e, desde então, é passado de pai para filho. Na nossa primeira apresentação, aqui na Casa Grande, era tudo diferente, tudo era mato.”, afirma Adriano. Quando questionado sobre o interesse dos jovens para a cultura tradicional da região, ele afirma que “por sermos chamados para as escolas, para dar aula, muitos jovens passaram a se interessar por nossa cultura”, ele diz.

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Banda Cabaça dos Irmãos Aniceto

Em novembro do ano passado, a Universidade Estadual do Ceará concedeu o título de Notório Saber em Cultura Popular para os Mestres da Cultura do Ceará, durante X Encontro Mestres do Mundo, na Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), campus da UECE em Limoeiro do Norte.

Fabiano dos Santos Piúba, secretário de cultura do Ceará, declara que esse título permite que os mestres venham a ser remunerados por espetáculos, debates, oficinas, aulas e apresentações. Além disso, 80 Mestres da Cultura já são beneficiados com um salário mínimo, por lei sancionada pelo governador Camilo Santana em maio deste ano.

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Amor e experiência

Cortejo é festa e não é só festa. É celebração, tiro pro alto, criança perdida no meio da dança. Donas de casa sorrindo em suas portas, motos que passam por dentro e param, mestres, roupas coloridas e máscaras.

Cortejo é acompanhar o cortejo, é se perder sabendo que o próximo passo vai dar em outro mundo, e mais outro, até passar por toda uma cultura de gerações, que de tão vivas, gritam. É esquecer pai e mãe, extinção da realidade física, se entregar nas bifurcações e veredas da cidade, assumindo que nada mais importa.

Mais cedo, ao comentar sobre a história de amor que é a Casa Grande, o secretário de cultura disse: “É uma casa de formação e sobretudo de experiência. Experiência é aquilo que nos toca, é aquilo que nos passa, que nos atravessa.”

Hoje eu fui atravessado pela cultura do meu próprio estado.

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Emoção e conquista: ritual de entrega dos uniformes

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“Aqui deves entrar como num templo,

Com a alma pura, e o coração sem susto”

Foi com o poema “A casa”, de Olavo Bilac, que Yasmin Pereira, 12, abriu caminho para o ritual de entrega dos uniformes que aconteceu hoje (19) na sala do Coração de Jesus. Anualmente, os meninos e meninas que dedicaram seu tempo e carinho à Fundação, conquistam, entre palavras de afeto, lágrimas e olhos ansiosos, o reconhecimento de sua cidadania.

O uniforme, longe de representar uma padronização que causa a perda da individualidade das crianças, marca um momento sagrado para as pessoas da Fundação e indica união, conquista e pertencimento. As cores, vermelha e branca, estão presentes nas paredes e barras dos interiores da Casa Grande e, por isso, representam quem ali está: o homem.

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Com os olhos marejados, Jesus Souza, 13, que está na fundação desde o meio do ano, disse que quase chorou ao receber o uniforme e lembrou do amigo (André) que saiu enxugando as lágrimas na sua vez.

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Felizes, vestiram-se rapidamente e voltaram para a foto oficial. Receber o uniforme é poder abrir a geladeira e, sem problema, botar os pés no sofá pois já se é de casa. Da família. É ter, como diz na canção de Geraldo Vandré que encerrou a cerimônia: “laço firme e braço forte num reino que não tem rei”.

25 anos Casa Grande: a renovação do sagrado coração de Jesus

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A Consagração das Famílias ao Sagrado Coração de Jesus, ou simplesmente a “Renovação”, é uma das demonstrações da fé e religiosidade do povo do interior do Nordeste. Na madrugada deste dia 19, na região sul cearense, a Fundação Casa Grande celebra seus 25 anos com o ritual tradicional.

“O evento é imenso para a Fundação, pois ela trabalha história e memória. O costume, reavivado por Pe. Cícero Romão Batista, estimula a tradição na região”, afirma a professora Merces Pereira, amiga da Casa Grande, sobre a renovação que ocorre desde a criação da Fundação Casa Grande Memorial do Homem Kariri, em 1992.  

Nessa edição, a renovação possui um valor simbólico redobrado, uma vez que foi idealizado em homenagem a Rosiane Limaverde, uma das criadoras da Fundação, que nos deixou em março deste ano. Emocionado, Alemberg Quindins, esposo de Rosiane, contou uma breve história sobre o significado do dia de hoje.

“Hoje, 19 de dezembro, é comemorado meu aniversário, o aniversário de Rosiane, os 25 da Fundação e também o nosso 35º aniversário de casamento. É um dia muito simbólico em nossas vidas. Eu acredito que esse momento de passagem da vida é como um cintilar de uma fita, brilhante”, disse Alemberg.

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Este ano, haverá a entronização da imagem de Nossa Senhora das Graças, no Memorial do Homem Kariri. A santa é uma invocação especial pela qual é conhecida a Virgem Maria, também invocada sob o nome de Nossa Senhora das Graças e Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças.

Durante o evento, também foi apresentado um bordado do grupo Matizes Dumont, formado por integrantes de uma família de Pirapora (MG) que se dedica há mais de trinta anos às artes visuais e gráficas e ao desenvolvimento humano. Usam o bordado espontâneo, feito à mão, como linguagem artística e instrumento de transformação social e cultural.

Fabiana Barbosa, jovem da Casa Grande, diz ser uma honra receber uma obra da família Dumont. Segundo ela, apenas três pessoas possuem a imagem, sendo uma delas a cantora Maria Bethânia. As Dumont possuem grande importância para a tradição brasileira, tendo retratado obras de artistas como Candido Portinari.  

Devoção

Na tradição local, as mulheres possuem o papel de escolha da santa de devoção das casas. No caso da Fundação Casa Grande, Rosiane escolheu Santa Bárbara, conhecida como protetora contra os relâmpagos e tempestades e considerada a Padroeira dos artilheiros, dos mineiros e de todos que trabalham com fogo.

A santa, que passou a ser o símbolo de devoção do casal, foi lembrada na noite da Renovação. Yasmin Pereira, 12, adolescente da Fundação Casa Grande, fala da renovação como “tempo de alegria, de compartilhar sentimentos e celebrar a união”.

A noite termina com a apresentação da Banda Municipal de Nova Olinda. O maestro se disse honrado de participar do momento e da importância dele para a cultura da cidade. “A banda se sente cumprindo um dever de participar da renovação, estando sempre a disposição para ajudar em tudo que acrescente na cultura e história do município”, termina. Além da banda, o aniversário da Fundação também conta tradicionalmente com o corte do bolo, que é compartilhado com toda a comunidade.

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Terreirada, museu do avião e outras atividades em mais um dia de Renovação na FCG

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O dia começou com as palavras de Alemberg, juntamente com os membros da Casa, o pessoal da UFC e demais visitantes. O assunto girou em torno da organização do espaço, a apropriação das crianças e a valorização da cultura cearense.

De tarde o grupo visitou rapidamente o museu de aviões do Seu Françuli e seguiu rumo à terreirada na casa do Mestre Antônio Luís. A recepção contou com o mugunzá feito por sua esposa e a preparação do terreiro para festa.

Ao cair da noite, as primeiras manifestações começaram a acontecer na casa, e em seguida saíram os caretas, apresentando sua dança e levantando poeira no embalo da música dos tocadores. Os cânticos, abafados pelas máscaras, e as brincadeiras com pedaços de pau causaram sensações diversas na plateia, que sorriam, se assustavam e se espantavam, mas sempre com a empolgação de quem estava se divertindo bastante.

O grupo de brincantes Bumba Meu Boi do Sítio Sassaré mais uma vez cumpriu a tarefa de eternizar a cultura do Cariri com seus personagens marcantes, como a “véia” e o “véi”, a “burra”, a “sariema” e o temível “boi”, cada um com sua essência única e cheia de vida. Uma celebração não só da cultura do Cariri, mas de todo um estado carregado de causos e mistérios, que só os grandes mestres conseguem passar adiante.

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Fundação Casa Grande promove primeiro desfile com marcas locais

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O eco das palmas ainda estava presente quando o primeiro desfile da Fundação Casa Grande foi encerrado com a seguinte frase: “Tudo o que vocês viram aqui foi feito pelas mãos de muitas pessoas.” As palavras foram ditas por Fabiana, que assim como os outros três artistas que lançaram suas coleções nesta noite, representaram bem o significado do evento em meio à comemoração dos 25 anos do local.

O desfile aconteceu no teatro Violeta Arraes e arrancou risos e aplausos da comunidade de Nova Olinda, assim como de visitantes de outras localidades que vieram em ocasião da Renovação. Quatro marcas apresentaram suas coleções, foram elas: Ciências da Terra, Filipe Alves, Modus Cariri e Casa de Arte. As referências presentes nas estampas vão desde o ato de brincar, tão presente na dinâmica da casa, à cores, sentimentos e até mesmo inspirações nos costumes e nas pinturas rupestres deixadas ao longo do tempo pelo Homem Kariri.

Os detalhes adicionaram um toque especial de encanto na passarela, transformando modelos em personagens, que davam pistas de suas histórias a cada passo. O jovem rapaz e a senhora alegre, os casais que se separavam no meio do trajeto e que no final sorriam um para o outro, a cachorrinha agitada que dava orgulho ao seu dono, e também os que caminhavam sozinhos, os de olhares firmes e confiantes, as crianças de sorrisos curvos feito a lua. Tudo isso aliado a uma trilha sonora que mais parecia uma onda quebrando nas rochas do sertão. Onda de felicidade, de mais uma arte que veio para ficar.

Quem teve o privilégio de sentir a alegria em comunhão, a vibração das palmas que se transformavam em música e o agito de cada “uhuuu!”, levou para casa um pedacinho de sonho que acaba de nascer. Uma espécie de bem estar inegável causado pelas coisas feitas de coração. Agora quem quiser compartilhar um pouco desse sentimento terá que se dirigir até a lojinha da Fundação e conferir as estampas lindas que estão à venda, até mesmo para que a casa continue grande e capaz de acolher todos esses sonhos e risos e rastros de crianças correndo por todos os lados.

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O primeiro contato a gente nunca esquece

Este é um relato feito por um aluno da turma da UFC que veio para Nova Olinda fazer a cobertura da Renovação e que conta como foi a experiência de assistir a apresentação do Grupo de Penitentes de Barbalha, que ocorreu na noite do segundo dia de evento:

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Apresentação do dia 16.12.17

Sou pessoa qualquer, vinda de Fortaleza, numa viagem de mais de onze horas de duração, em busca da terra onde dizem acontecer algo de mágico. De cara besta como um bom forasteiro frente às muitas cores e à correria dos meninos e meninas, pra lá e pra cá, maravilhado com cada “boa noite” e cada sorriso – e cada gesto e cada refeição – fui logo apresentado ao Grupo de Penitentes da Divina Cruz do Sítio de Cabaceiras de Barbalha, assim, na lata.

O primeiro verso já me faz apertar os dedos pra não cair na besteira de me emocionar e correr o risco de perder o cântico: o senhor que treme e o que se preocupa com o senhor que treme, os dois da frente – que depois soube serem irmãos – parecem muito o meu pai. Homem do interior, rezador de afastar doença ruim, que fala “aligria” e “filicidade”, que talvez carregue uma ou outra penitência nas costas, lembra muito aqueles homens que levavam o coro adiante. E lembrar de pai quando tá longe, da essência de uma pessoa que você ama com toda a força, sobe pegando fogo na garganta. E eu aguentei.

Era clamor de criança e capuz branco cobrindo o rosto dos detrás, e melodias se sobrepondo e céu aberto e um menino dando pirueta lá do outro lado. E também um menino e uma menina com uma camisa escrito “técnica” com câmeras profissionais nas mãos, crianças da Casa Grande, cobrindo o evento que eu também vim cobrir. E um homem de chapéu que distribuía água aos artistas e um monte de gente segurando o mesmo choro que o meu.

O gravador do homem ao meu lado marcou 29:42 quando terminaram de beijar o coração de Jesus, um por um, com seu próprio beijo e devoção, e depois voltaram para uma rodada de perguntas onde o que era intensidade foi se explicando em vozes e gestos. Sobre o grupo de homens do Cariri e suas recusas ao pecado, sua fé maior que tudo, seu amor pelo homem que morreu salvando todo mundo para que tudo acontecesse. E não existia um só traço de alteração em seus rostos, como nos meus talvez houvesse, porque para eles era missão, louvar alguém maior que eles mesmos, que do céu assistia calado, e para mim era a fé do pai e da mãe e uma sucessão de coisas que só chamo de “lembrança” porque insisto em fechar portas pelo lado de dentro. Mas não nessa noite, não na terra que dizem ser mágica e que já começava a entender o porquê.

O pai do bisavô do Seu Nivaldo, que curava doença ruim assim como o padre Ibiapina e o meu pai, criou o grupo para que fossem exemplo da figura do homem sertanejo religioso, que busca a sua paz através de uma vida longe do “profano”. Foi ele também que passou o lugar para o filho, quando se foi, e este ao próximo, até chegar ao Seu Nivaldo, que um dia passará a um outro. Sem falar de tempo, sem contar quantos foram e quantos são, só na certeza de que tudo passa como no fluxo de um rio, onde só importa a beleza das águas, que nesse caso eram as vozes lindas, ao seu próprio ritmo de ir e vir. Confesso que passei alguns segundos pensando no sentido do fim, ou buscando nos olhos dos homens penitentes o que, afinal, significava o fim, mas não encontrei nada que o parecesse. Conversando depois com uma amiga, ela diz como quem não quer nada:

“É que pra eles não é fim, é Renovação.”

Olha, posso até ser pessoa qualquer, vinda de um lugar que não é aqui, que tranca portas e precisa de um abraço quase toda hora que passa fora de casa, mas depois disso tudo, depois que a magia se revela, que o espírito sopra uma baforada de vida, de dentro pra fora, não existe ninguém, em cima desse e de todo e qualquer chão, que permaneça pequeno e menor do que o céu. Agradeço, portanto, aos 25 anos de existência dessa casa de cores muitas de perder as contas, a essa cultura viva que faz tremer as pernas e o corpo inteiro, à sensação de completude e bem danado que me causa essa certeza de que estive, esta noite, diante de tudo o que é divino. Parabéns, Fundação Casa Grande.

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Turma da UFC na Fundação Casa Grande